É tão raro eu me sentir satisfeito com algo que quando acontece, penso em me beliscar algumas vezes apenas para encontrar a certeza de que não estou em mais uma cilada de minhas vontades, instigadas por meus sonhos. Se for para ser sincero, grande parte do tempo me projeto raciocinando uma fuga do êxtase em que mergulho quando um fato passado me arrasta de volta à melancolia que sinto todas as vezes que cogito fitar-me através dos espelho da alma. Os olhos. Na mais pura realidade, tenho medo e, até uma finta de receio, de não aprovar o que está ali, frente a mim do outro lado do molde.
Vivo a corrigir as vértices que cruzem meu caminho, desmoronando o teto toda vez que detecto, distante, a luz no fim do túnel. Às vezes, você não imagina o quão cômico isso pode se tornar, quando não desesperador, é claro; rolar escada abaixo quando se está a um passo de encontrar a resposta alvejada... Mas é sempre assim, desse jeito rude, que as ocasiões vão me provando o quanto estou enganado em valorizar costumes estúpidos e antiquados.
De certa maneira, é nisso no que se baseia os trezentos e sessenta e cinco dias do ano: arriscar todas as chances em jogadas diferentes mesmo sabendo que todas elas podem - e muito provavelmente vão - te deixar no mesmo cubÃculo, abraçado pela dimensão de meus devaneios. É aà que decido, então, tirar os sapatos, a camiseta, abrir os braços e me permitir sentir cada átomo de minha temperança se desfazer em detritos sentimentais. Quem sabe um dia eu não encontre uma real razão para finalmente decidir procurar por respostas.
Quem sabe...


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