Desde muito jovem, sempre tentei me espelhar naquelas pessoas que conseguiam ignorar o pensamento dos outros, que conseguiam caminhar entre as traições sem ao menos se sentir infligido por algo. Até hoje eu tento... E sem sucesso. Vou crescendo, evoluindo, aprendendo. Mas pareço nunca chegar em um lugar que, de verdade, me pertença. Em meio aos soluços, procuro um abrigo; em meio às trovoadas, um sossego; em meio às tristezas, quem sabe, ainda que bem distante, uma única chance esperança. Esperança de voar, libertar-me dos medos e receios. Apenas voar como um canário.
Quem sabe poder sentar no chão, ali na rua e não me preocupar em ser alvo de crÃticas só porque não faço o que querem que eu faça. Às vezes isso acontece! E olha que eu nem mesmo me atrevo a tentar. Vivo preso em cÃrculos viciosos e deprimentes, andando sempre atrás de algo que parece não existir. É quando me vejo perdido nos laços do destino. Fios de cobre, escaldantes... Me queimam, mas me mostram o quanto posso resistir. E, depois de toda a tortura que meu eu interior se propôs - bravamente, devo ressaltar - a suportar, minha mente desiste de pensar em tudo e se projeta em um lugar distante, com árvores esbeltas e um pôr-do-sol por entre dois blocos de terra que parece terem sido desenhados para mim... É quando, naquela breve fuga da realidade, me sinto no direito de duvidar: "Por que não arriscar ser um canário?"


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